palavras, idiossincrasias, verbos
o imaginário de uma teuto-oriental tupiniquim

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Quinta-feira, Maio 17, 2001

 
 

~17:14~

Mulher casada
Fernando Sabino

Este outro, conquistador inveterado, já calejado de aventuras, acaba confessando:

-- Não há nada mais chato que ter caso com mulher casada. Chato e aflitivo. A gente é apenas freguês, mas não é dono do negócio: acaba tendo de pagar, e caro. Não se falando naquele estado de apreensão permanente, aquele medo de ser apanhado em flagrante. Não há moral que se sustente ante a perspectiva de um revólver. Não há amor que mereça tamanho risco. Não há desejo que resista, nesse clima de susto permanente. E a dependência que se fica das decisões ou indecisões do marido? É ele quem manda, o que é simplesmente insuportável. Decide viajar, e a gente se prepara para alguns dias a sós, no bem bom, arranja a vida de maneira a tirar o máximo de proveito da ausência dele, toma providências, arruma e desfaz compromissos, inventa mentiras para todo lado. Tudo resolvido, pronto para passar uns dias com ela nos braços, vai o desgraçado resolve não viajar mais. E ela continua nos braços dele.

Com um gesto desalentado, arremata:

-- Na verdade, o amante é que é sempre o enganado. O marido, se um dia descobre tudo, ainda tira proveito da situação: acaba se separando da mulher numa boa. E o amante que se agüente: acaba tendo de assumir. Como naquela velha história do sujeito que quer tomar um copo de leite e acaba comprando uma leiteria.

por kktanaka ~

 
 

 

 
 
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