palavras, idiossincrasias, verbos
o imaginário de uma teuto-oriental tupiniquim

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Terça-feira, Maio 22, 2001

 
 

~14:56~

libertação

tive um sonho estranho esta noite
sonhei que estavámos - eu e ele -
curtindo umas férias no brasil.
um tempo de pausa alegre.
passamos algum tempo juntos
do jeito que fizemos, viajando.

e então ele se foi e o acompanhei
até o aeroporto. disse até como
nos filmes.

mas havia um sentimento estranho
o tempo todo me dizendo
que eu seria presa -aqui mesmo
em são paulo- assim que
ele se fosse

e então me encontrei numa
prisão. uma ensolarada prisão
olhando o sol e a luz do dia
através das grades.

e eu tinha um estranho sentimento
de que ele - ou não exatamente ele
naquele momento - voltaria
e sua chegada traria minha liberdade

e eu teria que esperar
este momento presa naquela cela
ensolarada e que possuia ainda um
brilho próprio, meio nebuloso,
meio surreal.

era como se eu fosse proibida
de amar. de mostrar
meus sentimentos

e aquele longo tempo
esperando que algo acontecesse
até o momento que eu pudesse
novamente ver o sol, a paisagem
sem janelas
e eu pudesse sentir a brisa
do vento na minha pele

tinha alguma esperança
estava certa que meu dia chegaria
e que não havia nada que pudesse fazer
além de esperar

e isto me deixou um pouco nervosa
e em dado momento comecei
a perder a esperança

e comecei a quebrar as grades
de minha cela para tentar
escapar daquela situação

porque não poderia viver
com a sensação de que
não tinha controle sobre
minha própria vida

mas também temia
viver uma vida de fuga
fugindo o tempo todo
principalmente
porque não havia feito
nada de errado

era como o sentimento:
"é meu direito. eu preciso.
mas não sei se suporto
- quebrar eu mesma as grades -
e viver com essa sensação
de escapismo o tempo todo
como uma prisioneira que
forçou sua liberdade

mas também não poderia
esperar que alguém voltasse
porque não era justo
por que deveria esperar?
por que estava na cadeia?
quando ele está livre,
vivendo sua vida?
senti que todo o carinho
havia se convertido em mágoa.
não merecia aquilo.
por que eu?
por que não ele?

e por um momento
pareceu-me então
que aquilo era proposital
que ele impusera aquilo
e a mágoa cresceu

mas também sabia
que aquilo era importante
especialmente para
perceber que a única
pessoa que poderia
controlar a minha vida
era eu mesma e
mais ninguém

mas tinha medo de
quebrar minhas correntes
também não queria
magoar ninguém
e percebi que estava
sofrendo para poupar
e preservar os outros.

e então me encontrei
fora de lá. com outras pessoas
vivendo uma vida parecida
com a que vivia antes.

mas algo tinha mudado.
era mais feliz?
não sei.

por kktanaka ~

 
 

 

 
 
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