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palavras, idiossincrasias, verbos
o imaginário de uma teuto-oriental tupiniquim

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Segunda-feira, Novembro 17, 2008

 
 

~22:17~

um relato sobre a umbanda

Sexta fui acompanhar o pai na umbanda. A família inteira sempre teve o pé na umbanda ou candomblé. Meu tio japonês é pai de santo no candomblé. E depois dizem que japonês não se mistura... Vai entender? Quando era criança a mãe me levava em benzedeira, via os tios do lado da mãe no candomblé. Aquilo tudo eu não gostava me fazia mal. Depois íamos pra igreja. Daí que adolescente, vindo de uma família castradora, acabei indo parar na igreja católica, mas até isso foi motivo de discórdia pra minha mãe que achava que na igreja só tinha "transviado". Fiquei com nóias na minha cabeça. Medos, crises. Paranóias. Mesmo. E não gostava de umbanda, candomblé. Mas daí resolvi sair da igreja católica, também por nóia e também por ver que naquele lugar que tanto se prezava o amor, a virtude e o puritanismo que ali se praticava vaidade. Saí fora, vivi vida de leiga, mas me sentia mal, culpada. Passei a viver, encarei a vida. Tive meus altos e estou vivendo um longo baixo. Vivi meus anos de plenitude entre 1998 e 2002. E daí afora, muita ladeira abaixo. Impressionante também como 4 anos de vida boa acabam com a vida de uma pessoa. O luxo a gente se acostuma. A volta a pobreza é um sentimento de decadência e de derrotismo profundo. Meu pai após a morte de mãe, em 2003, resolveu ir pra umbanda. Apoiei, desde que aquilo não me afetasse. Apoiei porque queria ver o pai tendo vida social. Saindo daquele ambiente de doença, comiseração para o qual a família toda se entregou. Só eu saí fora. E "venci". Nunca quis aquele ambiente de vítima, de miséria interior. E resolvi sair para ter paz interior, porque o que eu dizia não valia. E assim, acabei "vencendo na vida". Sustentando remotamente uma família detonada. Imersa num círculo vicioso de entrega e derrotismo. E raiva, e violência, e eu também me posando de vítima enquanto ali. Tipo querendo salvar a família. Saí para não ser tragada por aquilo. Terapias à parte. Loucuras à parte. Alguém tinha que sair dali. Mas isso é outra história. Muito dolorosa, por sinal ou por sina. Vai saber? Acontece que acabei criando umas nóias de pequena com assuntos como umbanda e candomblé. E acontece que a vida adulta me ensinou que religião é tudo uma merda e que só gera fanatismo. Além de guerras e de um monte de sequelas na vida das pessoas. E aí que fui conhecer várias religiões e também me interessei por várias práticas esotéricas. Até me desapegar de D*us. Banquei a Jó. Quando pensei em ir pra debaixo da ponte [mesmo]. Disse pro de cima: "olha, não quer ajudar não ajuda, mas também não atrapalha". Aí a coisa parou de piorar. Pelo menos. Conheci também o zen budismo que considero até hoje o mais profano, cotidiano e intelectual de todas as religiões ou filosofias. Mas ainda tinha preconceito pela umbanda. Preconceito derivado de também ser uma religião ainda que não dita. Porque todos cultos, digamos menos preconceituosos, também seguem a cartilha da religião: "você tem que levar isso a sério". "você não sabe o que quer". Porque já vi gente do candomblé querendo firmar seu culto perante amigos evangélicos. Mas no frigir dos ovos não deixa de ser disputa e competição: "a minha é melhor que a sua". Não gosto disso por princípio. E daí que senti isso na família, meu pai, minha tia, meu tio [que é do candomblé]. Então não queria, porque não quero me envolver profundamente. Assim como não quero wika ou o João de D*us que falou que eu era médium. Acho que meu caminho é outro. Mas movida não somente por curiosidade, mas principalmente por pensar que religião à parte, cienticificidade à parte (principalmente partidarismos à parte) há algo em nós que transcende. E também por estar novavemente diante de uma situação na qual "meu chega, até quando esse karma?". Diante de uma situação na qual eu já cansei de viver essa situação. Sei que até onde esta vida me levar [e que não aja outra, por favor, quero vir como flor ou estrela, ou até brabuleta, mas não sou mais a flor] que terei de conviver com essa história além das outras passadas. Porque o passado condena. E o futuro também. E o presente, virgi! Aí movida por isso, querendo superar um defunto que tá tipo assim enterrado [ufa, pelo menos enterrado!] a uma distância de uns 3 palmos que fui na umbanda. A gira que o meu pai frequenta catolicamente [com o perdão do trocadilho] há uns bons anos. Os melhores da vida dele. Não. os melhores da vida dele foi quando ele passou a morar comigo. Claro! Fui lá e a mãe Fátima que é conhecida do meu pai. Bem... enfim... a família inteira tá ali. Então... Ahhhh Essa é a filha do Tarcilo? [tadinho do meu pai, o nome dele não é bem esse]. Ahhh Tarcilo, sua filha é linda. E o Tarcilo: Como o pai. Bem... Obviamente não queria passar com alguém que soubesse toda a minha tragetória, porque vamos combinar que todo mundo sabe da vida de todo mundo? Mas preferi ir ali mesmo. Sim... Aí Mãe Fátima me deu uma ficha pra passar com um cara xis. Achei que fosse um na hora do vamos ver foi outro. E gostei disso. Falei pra ela que gostei que assim o cara não me conheceria. Não queria uma pessoa que sabe da minha vida me dizendo um monte de bláblablá. Também saquei que a vibe ali rola umas coisas fora. Óbvio, tem um monte de mulher que o pai tá interessado e que eu não sei se quero trazer pra casa. E não. Não vou dar pra ninguém ali. E foi assim que imbuída de todo o ceticismo fui ali parar na umbanda que o pai frequenta toda sexta. E curti. No final todos me perguntaram. A tia que apareceu e não tava trajada de acordo. O tio, a mãe Fátima. Curti. Passei com o cigano. Era gira de cigano. Ele foi ótimo. E gostei de tudo que ele me disse. Escolhi bem as palavras pra dizer, ele também não bancou advinho, mas disse coisas boas, profundas e saudáveis. Só não gostei quando ele perguntou do coração. Vi nele um homem. E não tava ali pra isso. Fiz cara de nada. Ele disse "tá com o coração vazio. você é daquelas que não tem ninguém e ninguém sabe porque. mas você é determinada". só acenti. Ele foi um gentleman. Nem senti na hora que estava ali com ele que aquilo era um embromation de portunhol. Apesar de ter visto antes. Até eu falo portunhol melhor que aqueles ciganos. Mas bem... Na hora o que eu senti foi honestidade. Sinceridade e caráter. E um profundo respeito que prefiro não dizer religioso. Mas um respeito por algo que bate na nossa espinha e que nos faz sair de nossos corpos. Vi o saradão bombadão ficar com medinho de incorporar. Vi o magrelo boa praça incorporar raivosamente. Quando o pai deu carona pro magrelo e pras minas que tão afim de colar aqui em casa vi o que é morar numa região onde se executa policial, onde morre o conhecido da conhecida e mais um outro. Três mortes na mesma semana a tiro. Vi o que é dobrar nas esquinas do tráfico. Mas isso eu já tinha visto. Mas dessa vez foi com uma calma. Não tive medo. Essas pessoas tem um pouco de QI. Elas vivem, elas também falam besteiras, chamam os ciganos de gostosos depois que tudo termina e fica na conversação, cantam o pai. E todo mundo volta pra casa. E aí sabe-se lá. Mas cada um sabe da sua miséria e da sua dor. Sabem o que vivem diariamente. E tentam se alegrar e procurar um alívio e mais que isso, tentam viver de uma maneira que não as tire dali com promessas milagrosas, mas com uma atitude de respeito. Não vi milagres, não me prometeram milagres. Não me prometeram: "Olha, conte conosco". Nada disso. O que eles chamam de movimento. Como outros que você já tenha visto. Gostei da honestidade desse. Da maneira de encarar a vida. Acho que tenho um bocado pra aprender com os povos de aruanda. Mas bem... Não tô afins de levar isso muito à sério [do ponto que passa da coisa do bom-senso como a religião sempre passa]. Para mim, é também mais uma coisa que aprendi. Mas vou levar as receitinhas de bolo comigo. Fazer tudo direitinho. Porque gostei. Porque sintonizou. Só isso. Esse relato ficou longo demais. Uma coisa eu acredito. Em transcender. Vibes. E transcender e vibes que não sejam apenas a língua dos maconheiros. Que não seja, principalmente a língua do tráfico. Porque parece que tudo nessa vida é tráfico. Mesmo quem não bebe, quem não fuma. Tudo é tráfico. Música é. Arte é. Tudo é. Acho que eu também senti isso ali. Mas diferente. Aqui nós somos sim. Acendemos cigarro, bebemos, entramos em transe, falamos blablabla. Mas não sei. Posso estar enganada. Achei honesto. Não é negociata. Uma mulher, a dentista que eu tô fazendo canal disse que gosta da umbanda porque lá não se negocia com obcessor. Tá aí. Foi o que me fez ir. Quando eu comentei com o pai ele disse: Negogiar com bandido? hehehe E foi o que eu senti quando o cigano me perguntou sobre o meu coração e eu não respondi e fiz uma cara de torta do tipo: "que foi? Não tô aqui pra isso"? e ele veio sem cerimônia, mas com respeito. riu, quebrou o gelo. São pessoas que ganharam meu respeito. Tentam viver com dignidade e a cabeça erguida, respeitando a dor alheia. Sem querer ser heróis e vítimas. Posso estar errada, mas foi isso que eu senti.

por kktanaka ~

 
 

 

 
 

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

 
 

~22:19~

inveja

dor, corrosão, destruição um sentimento comum a todos que ousam assumi-lo em pouca ou muita medida comum a todos um espelho de um lado um, de outro lado o outro uma hora vítima outra algoz cada um trocando de papel vítima e algoz uma hora perseguindo outra sendo perseguid@

por kktanaka ~

 
 

 

 
 

Domingo, Maio 18, 2008

 
 

~21:58~

Beyond the unfinished line

Why do i carry all these feelings? They are genuine. They are real. And want to explode. Why am I all feelings? We are alowed to feel but we are not alowed to show so whe must express ourselves trough other means And still this is not the end. There's allways beyond the unfinished line. [escrito em 13/05/2008 durante show de jazz]

por kktanaka ~

 
 

 

 
 

~21:51~

Conectados com todos os sentimentos do mundo

Sentimentos que devem ser expostos. Tocando profundamente feridas que jamais cicatrizarão. Talvez o que resida no íntimo de cada um de nós. De eu e você. Você e eu. Ainda sobram amarras. Angústias. Sofrimento. O desejo de liberdade em contraponto com a ânsia de ser ouvido. De exigir. Demandar. Da vontade íntima e secreta que todos temos de impor nossa vontade, desejo, ego, ou seja lá o que for, ao outro. Nosso ponto de vista. Todos somos anjos. Todos temos um hitler residindo em algum canto sombrio de nosso eu. Chama-se Sistina. Uma capela sórdida. Na qual cada um de nós ao tentar se apoderar de seu objeto de desejo o faz por meios inescrupulosos. Um lugar sombrio. Ali não reina apenas o desejo e a luxúria. Reina uma luta interna na qual o que de mais sincero desejamos é ser amado, ouvido, acariciado e acalentado. No entanto esse desejo, essa vontade, tentamos impô-la, sem respeito ao que o outro - nosso objeto de fixação - deseja. E se o que o objeto de fixação deseja é algo diferente, ou mesmo, oposto a nós? Daí talvez toda a violência, agressividade, raiva, medo. [escrito em 13/05/2008 durante show]

por kktanaka ~

 
 

 

 
 

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

 
 

~23:55~

aviso aos navegantes

Este blog ficou um ano fora do ar por questões tecnológicas somado a preguiça de arrumar, de fazer back-up, mas também e, principalmente, à falta de infra-estrutura para reconstruir algo tão obsoleto correndo o risco de perder tanto lixo. E ainda mais: a auto-crítica de que muito do que aqui foi publicado apenas me serviu para angariar vários desafetos, serviu à vaidade, mas principalmente ao desabafo.

Foi também (e por isso eu o criei em 2000 e o mantive por tanto tempo) meu pequeno canteiro, meu jardim de areia. Daqueles orientais no qual você chega, passa um rodinho, faz uns desenhos, brinca e deixa assim. Depois volta faz mais desenhos.

Justiça seja feita: muitos amigos permanecem. Alguns encontrei por aqui. Outros conhecidos tornaram-se amigo por conta deste querido [boop it]. Este blog, como já me disseram, foi minha companhia durante muitos anos. Fui extremamente fiel à ele.

Agora estou tentando recuperar alguns dos posts que pretendo guardar e tão logo resolva isto, desativarei este blog e esta url.

Agradeço as visitas, a amizade e a compreensão.

por kktanaka ~

 
 

 

 
 

~23:51~

vale a pena ouvir de novo

Reproduzo aqui um post (uma música do Tom Waits) que publiquei aqui neste blog pela primeira vez em 03/2006 em homenagem ao Emerson Luis um dos meus raros ex-leitores.

Jersey Girl
[Tom Waits]

Got no time for the corner boys,
down in the street makin' all that noise,
don't want no whores on eighth avenue,
cause tonight i'm gonna be with you.

'cause tonight i'm gonna take that ride,
across the river to the jersey side,
take my baby to the carnival,
and i'll take you on all the rides,
sing sha la la la la la sha la la la.

Down the shore everything's alright,
you're with your baby on a saturday night,
don't you know that all my dreams come true,
when i'm walkin' down the street with you,
sing sha la la la la la sha la la la.

You know she thrills me with all her charms,
when i'm wrapped up in my baby's arms,
my little angel gives me everything,
I know someday that she'll wear my ring.

So don't bother me cause i got no time,
I'm on my way to see that girl of mine,
nothin' else matters in this whole wide world,
when you're in love with a jersey girl,
sing sha la la la la la la.

and i call your name, i can't sleep at night,
sha la la la la la la.


por kktanaka ~

 
 

 

 
 

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

 
 

~14:14~

google videos

dois vídeos muito bons sobre a dominação do Google:

Epic (nov/2004)
Master Plan - about the power of Google (fev/2007)

por kktanaka ~

 
 

 

 
 

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

 
 

~16:35~

Lá Vou Eu
Zélia Duncan

Composição: Rita Lee e Luiz Sérgio

Num apartamento perdido na cidade,
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente.

A gente não consegue
ficar indiferente debaixo desse céu
No meu apartamento
você não sabe o quanto voei,
o quanto me aproximei de lá da Terra
Num apartamento perdido na cidade,
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente.
No meu apartamento
você não sabe quanto voei,
o quanto me aproximei de lá da Terra.
As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar.
Na medida do impossível tá dando pra se viver.
Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível
como você e eu e o céu.
Num apartamento perdido na cidade
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente
A gente não consegue
ficar indiferente debaixo desse céu.
No meu apartamento
você não sabe o quanto voei
o quanto me aproximei de lá da Terra, não.
As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar.
Na medida do impossível tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível
como você e eu e o céu.

por kktanaka ~

 
 

 

 
 

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

 
 

~15:41~

viagem astral

duas horas de sonhos por entre lugares desconhecidos e familiares.

por kktanaka ~

 
 

 

 
 
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